Por Márcia Passoni
Colaboração de Helion Póvoa Neto
As
situações às quais diversas pessoas ao redor do mundo são submetidas,
pelo simples fato de serem migrantes, são tema de diversos filmes e
documentários no Brasil e em outros países.
O
professor Helion Póvoa Neto, diretor do NIEM (Núcleo Interdisciplinar
de Estudos Migratórios) e professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio
de Janeiro), fez uma lista com algumas dessas produções que abordam o
tema, de forma direta ou indireta. E o MigraMundo acrescentou alguns
filmes que já acompanhou ao longo de sua existência.
Muito
mais do que momentos de entretenimento, sofá e pipoca, o objetivo
principal dessas produções é chamar a atenção para uma realidade a cada
dia mais presente em nossa vida: a migração.
Refletir
sobre o dia a dia daqueles que deixam a sua terra natal em busca de
melhores oportunidades (ou até mesmo na luta pela sobrevivência), pode
nos levar a uma atitude mais solidária e humana em relação a essas
pessoas.
1 – A Boa Mentira (Philippe Falardeau, EUA/Quênia/Índia, 2015)
Após
caminhar quilômetros para chegar a um campo de refugiados no Quênia, um
grupo de sudaneses tem a oportunidade de entrar em um voo humanitário
para os Estados Unidos. Lá, conhecem Carrie Davis, uma assistente
social. Embora seja um pouco perdida, está disposta a ajudá-los a ter
uma vida melhor e passa a ter uma nova visão de mundo a partir do
contato com os sudaneses.
Imagem do filme A Boa Mentira (The Good Lie).
Crédito: Divulgação
2 – América, o Sonho de Chegar. Lamerica (Gianni Amelio, França, Itália, 1994)
Após
a queda do comunismo na Albânia, dois italianos partem para lá com
planos de abrir uma companhia de calçados, que na verdade serviria para
lavagem de dinheiro. Spiro Tozaj, um prisioneiro político, é escolhido
como o laranja para este negócio. Porém, ao perdê-lo de vista, Gino, um
dos italianos começa a ter problemas, até acabar na prisão. O reencontro
acontece em um navio, rumo à América, onde eles realmente descobrem o
quanto precisam um do outro.
3 – Antes da chuva. Pred dozhdot. Before the Rain (Milcho Manchevski, Macedônia, 1994)
O
filme subdivide-se em três histórias: na primeira, um jovem monge se
apaixona por uma albanesa acusada de assassinato e foge com ela para a
Macedônia. Na segunda, uma editora de imagem fica dividida entre o amor
do marido e atração por um fotógrafo de guerra. A terceira mescla as
duas anteriores, e foca na volta do fotógrafo à Macedônia.
4 – Assédio. L’assedio (Bernardo Bertolucci, Itália, 1999)
Shandurai
se exila na Itália, após a prisão do marido pelo regime ditatorial na
África, e vai trabalhar como empregada na casa de um pianista e
compositor excêntrico. Ele se apaixona por ela e declara-se capaz de
qualquer coisa pelo seu amor. Diante de um pedido para libertar seu
marido, ele pode colocar em risco sua própria integridade, e ela se vê
diante de uma importante escolha.
5 – Atravessando o Arizona, Crossing Arizona (Dan DeVivo, Joseph Mathew, EUA, 2006)
O
filme traz uma série de relatos de pessoas em meio à crise da imigração
no Arizona – relato que fica ainda mais atual com a ascensão de Donald
Trump à Presidência dos EUA e seus planos de ampliar o muro já existente
na fronteira México-EUA.
6 – Babel (Alejandro González Iñárritu, EUA, 2006)
Richard
e Susan viajam em férias ao Marrocos. Enquanto isso, dois adolescentes
manejam um rifle ganho do pai para que protegessem a criação de cabras
da família. Os garotos atiram no ônibus que transportava o casal e Susan
é atingida. Um guia turístico havia ganho o rifle de um japonês, e
posteriormente o vendeu ao pai dos adolescentes. O ocorrido com Susan
desencadeia acontecimentos em diversas partes do mundo. Nos EUA, onde
uma babá mexicana cuidava dos filhos do casal; no México, para onde ela
leva as crianças; no Japão, onde o verdadeiro dono do rifle tenta ajudar
a filha cega a superar a perda da mãe e no próprio Marrocos, já que se
suspeita de um ato terrorista.
7 – Back to Bosnia (Sabina Vajraca, EUA, 2006)
Trata-se
de um documentário que relata as dificuldades enfrentadas pelos
refugiados que tentam retornar à Bósnia. Uma família, que precisa
recuperar sua propriedade roubada, por exemplo, se vê diante da sua
antiga cidade, agora aos cacos.
8 – Bem vindo (Philippe Lioret, França, 2009)
Um
jovem iraquiano de 17 anos deseja visitar sua amada na Inglaterra. Mas
ao tentar ir para lá, se depara com a real situação que os imigrantes
indocumentados enfrentam na Europa.
9 – Biutiful (Alejandro González-Iñárritu, Espanha, México, 2011)
Uxbal
explora o trabalho de chineses que, por estarem indocumentados,
oferecem mão de obra mais barata. Ele também tem o dom de falar com
mortos e cobra de pessoas que desejam saber de seus entes já falecidos.
Essas atividades ilegais são conciliadas com a criação de seus dois
filhos. Até que um belo dia, após sentir dores, ele vai ao médico e
descobre que tem poucos meses de vida.
Cena do longa Biutiful.
Credito: Divulgação
10 – Bolivia (Israel Adrián Caetano, Argentina, Holanda, 2001)
Em
Buenos Aires, o boliviano Freddy trabalha em um restaurante, e sofre
humilhações constantes. Rosa, uma paraguaia que também foi ao país em
busca de uma vida melhor, encontra-se na mesma situação. O filme tem por
objetivo relatar os preconceitos e discriminações sofridos pelos
imigrantes diante da crise econômica local.
11 – Bye Bye Brasil (Cacá Diegues, Brasil, 1979)
Salomé,
Andorinha e Lorde Cigano viajam o Brasil com seus espetáculos. O casal
Ciço e Dasdô (que está grávida) se junta a eles e a caravana vai até
Brasília. Ciço apaixona-se por Salomé e a disseminação do acesso à
televisão os leva à falência. Após o nascimento do filho, o homem
precisa escolher entre a prostituição da esposa e o abandono da
caravana.
12 – Canção de Carla, A (Ken Loach, Grã-Bretanha, 1996)
Carla
é uma exilada da Nicarágua que vive em Glasgow. Um motorista de ônibus a
conhece em seu pior momento: está ferida, e longe da família e do
namorado. Após perder o emprego por deixa-la viajar de graça, ele vai
com ela à sua terra, que enfrenta um período turbulento. Um trabalhador
humanitário americano, amigo de Carla, pode ser a chave para o segredo
sobre o paradeiro de seu namorado.
13 – Casamento grego. My big fat Greek wedding (Joel Zwick, EUA, 2002)
Toula
pertence a uma família tradicional grega e, portanto, deve casar-se com
um grego. Porém, em um curso de informática, ela conhece o inglês Ian e
os dois se apaixonam. O namoro começa em segredo e, quando vêm à tona, o
casal se vê diante do desafio de adequar o rapaz ao que a família
espera de um pretendente para casar-se com ela.
14 – Caterina va in città (Paolo Virzì, Itália, 2003)
Caterina
tem 12 anos quando seu pai é transferido para Roma. Na nova escola, ela
conhece diferentes ideologias políticas e fica perdida, já que precisa
encaixar-se em um grupo para ser aceita. E a ajuda que ela precisa pode
partir de um garoto australiano, vizinho de Caterina.
15 – Central do Brasil (Walter Salles, França, Brasil, 1998)
Dora
é uma professora que trabalha escrevendo cartas para analfabetos na
estação Central do Brasil. Ao conhecer um garoto que acabara de perder a
mãe em um atropelamento, ela decide partir com ele ao Nordeste, para
ajudá-lo a encontrar o pai, que ele nunca conheceu. Foi o último filme
brasileiro a conseguir a indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Cena do filme brasileiro Central do Brasil, com Fernanda Montenegro.
Crédito: Divulgação
16 – Cinzas de Ângela, As (Alan Parker, Grã-Bretanha, 1999)
Após
perder uma filha aos 7 anos, Ângela muda-se com o marido e os outros
filhos de Nova York para a Irlanda. Lá, encontram condições ainda piores
de emprego e sobrevivência e, para completar, o marido de Ângela
enfrenta problemas com alcoolismo.
17 – Coisas sujas e belas, Dirty Pretty Things (Stephen Frears, Grã-Bretanha, 2002)
Okwe
é um nigeriano que trabalha em um hotel de Londres. Ao descobrir um
esquema de tráfico de órgãos, ele se vê impedido de denunciar, já que
está indocumentado no país. Ele se alia a Senay, uma turca que se
encontra na mesma situação de vulnerabilidade que ele. Juntos descobrem
que hóspedes do hotel cedem um rim em troca de um passaporte falso, e
muitos morrem de infecções resultantes dessa “cirurgia”.
18 – Corações Sujos (Vicente Amorim, Brasil, 2011)
Em
1945, uma parte da população japonesa que vivia no Brasil, acreditava
que o Japão havia ganho a Segunda Guerra Mundial, e que a derrota do
país não passava de propaganda enganosa. Aqueles que ousassem insistir
que o Japão não havia ganho eram mortos e perseguidos. A história é
narrada pela esposa de um dos pregadores da vitória japonesa, que vê o
marido tornar-se um assassino e jogar ao vento a história de amor que
viviam.
19 – Conto Chinês, Um (Sebastián Borensztein, Argentina, 2011)
Roberto
é um argentino dedicado a cuidar de sua loja e colecionar notícias
incomuns. Sua rotina é interrompida quando ele testemunha um chinês
sendo arremessado de um carro em movimento. O homem fora assaltado e
está agora sem documentos, e sem entender sequer uma palavra em
espanhol. Ele decide ajudá-lo e o leva para sua casa, até que encontra
um tradutor e finalmente entende a dramática história de sua vida.
20 – De Nadie. De Ninguém. No One (Tin Dirdamal, México, 2005)
Documentário
sobre a saga de refugiados da América Central que tentam entrar nos
Estados Unidos através da fronteira com o México. Em busca de uma vida
melhor, arriscam o pouco dinheiro que lhes resta, sua dignidade, sua
saúde e sua vida.
21 – Desde que Otar partiu (Julie Bertuccelli, França/Bélgica, 2003)
Eka
vive na Geórgia com a filha e a neta. Seu outro filho Otar, que vive em
Paris, comunica-se com ela por cartas. Ao descobrir que Otar teve uma
morte repentina, filha e neta se vêem diante do dilema a respeito de dar
ou não a notícia à matriarca, que ainda anseia pela volta do filho.
22 – Diários da motocicleta (Walter Salles, EUA, Alemanha, Grã-Bretanha, Argentina, 2004)
Che
Guevara, um jovem estudante de medicina decide viajar pela América de
moto, acompanhado de um amigo. Após 8 meses, a moto quebra e eles seguem
viagem, ora a pé, ora de carona. Em Machu Picchu, encontram uma colônia
de leprosos e passam a questionar as diferenças sociais do local.
23 – Em busca do ouro (Charles Chaplin, EUA, 1925)
Carlitos
se torna garimpeiro no Alasca, em plena época da corrida do ouro
(1898), que gerou deslocamentos para a região. Além do ouro, encontra
muita confusão e até uma paixão.
24 – Entre os muros da escola, La classe – Entre les murs (Laurent Cantet, França, 2008)
François
Marin é professor em uma escola na periferia de Paris. Seu maior
desafio é conquistar o interesse dos alunos, diante do descaso e da má
educação da turma. No entanto, essa sala de aula é uma espécie de
amostra da sociedade que vive nos subúrbios da capital francesa.
Cena do filme francês Entre os Muros da Escola.
Crédito: Divulgação
25 – Era uma vez na América. Upon a Time in America (Sergio Leone, EUA, 1984)
Dois
amigos, de origem judaica, cometem pequenos delitos em Nova York, ao
longo de sua infância e adolescência. A gravidade dos crimes vai
aumentando até que eles acabam se tornando rivais. Mais de 30 anos mais
tarde, eles se reencontram para enfrentar os fantasmas e arrependimentos
daquela época.
26 – Escolha de Sofia, A (Alan J. Pakula, EUA, 1982)
Um
aspirante a escritor, Stingo, conhece seus novos vizinhos: Sofia, uma
polonesa que já esteve presa em um campo de concentração; e Nathan, seu
namorado judeu. Após tornarem-se amigos, Stingo descobre que o casal
guarda segredos capazes de mudar sua vida.
27 – Exílios. Exils (Tony Gatlif, França, 2004)
Os
amantes Zano e Naïma decidem viajar à Argélia. Porém, ao cruzarem a
França e Espanha, acabam seduzidos pelos ritmos da Andaluzia e a viagem
torna-se uma verdadeira experiência espiritual.
28 – Faça a coisa certa. Do the right thing (Spike Lee, EUA, 1989)
Sal
é um ítalo-americano que tem uma pízzaria na periferia de Nova York.
Ele trabalha no local junto com seus filhos e coleciona fotos de ídolos
que remetem às suas origens. Até que um ativista vai lá para comer uma
pizza e o fato de não existirem referências à negros na sua coleção
acaba em confusão.
29 – Filhos de Francisco, Dois. (Breno Silveira, Brasil, 2005)
Francisco
é um homem humilde que sonha com uma carreira musical para dois de seus
nove filhos. Os garotos encontram um empresário e, quando finalmente
estavam começando a fazer sucesso, um deles morre em um acidente. O
outro não se dá por vencido e tenta carreira solo, mas só sente o gosto
do sucesso novamente, quando forma uma nova dupla com outro de seus
irmãos. Trata-se da história de vida da dupla Zezé di Camargo e Luciano.
30 – Fogo no Mar. Fuoccoamare (Gianfranco Rosi, Itália/França, 2016)
A
ilha italiana de Lampedusa é um local de escala para imigrantes vindos
do Oriente Médio e da África, virando manchete e tornando-se uma espécie
de símbolo da questão migratória da Europa. O longa descreve as pessoas
e, entre elas, o único médico da ilha, Pietro Bartolo. Foi finalista ao
Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano e ganhou o Urso de Ouro no
Festival de Berlim de 2016.
31 – Gaijin, os caminhos da liberdade (Tizuka Yamasaki, Brasil, 1980)
Japoneses
emigravam em busca de uma vida melhor. Devido a maior facilidade das
migrações em casais, a jovem Yamada casa-se com um rapaz de 16 anos que
acabara de conhecer, e juntos partem para o Brasil. Ao chegar, vão
trabalhar em uma fazenda cafeeira, são hostilizados, humilhados,
roubados, e recebem tratamento digno apenas por parte de outros colonos e
do contador da fazenda.
32 – Gaijin 2 (Tizuka Yamasaki, Brasil, 2002)
A
japonesa Titoe emigra para o Brasil com o objetivo de juntar dinheiro e
voltar ao seu país. Porém, seus planos são adiados pelo nascimento de
sua filha, as conseqüências da 2º Guerra Mundial para o Japão, e a
chegada dos netos. Sua neta se casa com um descendente de europeus, que
vê seus negócios irem à falência na crise de 1990. Ela então vai morar
com a avó, enquanto o marido vai ao Japão juntar dinheiro para que a
família possa retornar.
33 – Gaiola Dourada, A. La cage dorée (Ruben Alves, Portugal, França, 2013)
Um
casal de portugueses vive em Paris e conquista o respeito e o carinho
dos moradores de seu prédio, onde ela é síndica e ele, zelador. Ao
receber uma herança, capaz de dar-lhes uma vida luxuosa em Portiugal,
decidem retornar ao seu país. Quem não gosta nada dessa notícia são os
moradores do local, que farão de tudo para que o casal não vá embora.
34 – Gangues de Nova York (Martin Scorsese, EUA, Alemanha, Grã-Bretanha, Holanda, 2002)
Na Nova York de meados do século XIX, Amsterdan retorna à cidade em
busca de algo: vingança para a morte de seu pai. Lá, ele conhece
Willian, líder de uma gangue local e assassino de seu pai. Amsterdan
acaba se tornando homem de confiança de Willian e se apaixonando por
Jenny, pertencente a uma gangue rival. No longa estão ainda as duas
principais questões da época em Nova York: a imigração irlandesa para a
cidade e o início da Guerra Civil Americana.
35 – Gente di Roma (Ettore Scola, Itália, 2003)
Uma
câmera segue a vida em Roma. Um homem toma um ônibus, mas a câmera
acaba seguindo outro ônibus. Vários eventos simultâneos se desenrolam,
como uma entrevista sobre imigração dentro de um ônibus, as atitudes
racistas do dono de um bar, uma deportação, um nobre e um vagabundo
sentados lado a lado, dentre outros.
36 – Gran Torino (Clint Eastwood, EUA, 2008)
Walt
Kowalski, um veterano de guerra da Coréia, vive sua vidinha pacata, até
que conhece seus novos vizinhos, imigrantes do Laos. Um deles,
adolescente, é forçado por uma gangue a roubar o carro de Kowalski, um
Gran Torino. Como pano de fundo está a periferia de Detroit, antes
ocupada basicamente por famílias de trabalhadores caucasianos, mas agora
predominante por imigrantes de países asiáticos. E o veterano nutre
grande xenofobia por esses imigrantes, herdada da guerra.
37 – Habi, a Estrangeira (María Florencia Álvarez, Argentina, 2013)
Uma
argentina de 20 anos deixa sua cidade natal, no interior, e se rende
aos encantos de Buenos Aires. Sua vida começa a mudar quando entra por
engano em um velório muçulmano e é tão bem recebida, que decide conhecer
mais sobre esta comunidade. Para isso, adota um novo nome, consegue um
emprego em um restaurante árabe e se apaixona. Mas será que isso é
suficiente para esquecer suas raízes e se tornar outra pessoa?
38 – Hævnen (Susanne Brier, Suécia, Dinamarca, 2010)
Elias
é o filho mais velho de um médico, que trabalha em um campo de
refugiados. O garoto é perseguido por um colega de classe, até que um
novo aluno, Cristian, decide ajudá-lo. Cristian dá uma surra no aluno
que perseguia o amigo, sem saber que a vida de ambos estaria ameaçada
por um plano mirabolante de vingança.
39 – Herói do nosso tempo, Um (Radu Mihaileanu, Bélgica, Itália, Israel, França, 2006)
Salomão
nasceu na Etiópia, é negro, cristão, e aos 9 anos, vive em um campo de
refugiados no Sudão. Orientado pela mãe, ele é adotado por um casal de
judeus, e encontra dificuldades para sustentar a mentira de que é judeu e
órfão.
40 – Homem que virou suco, O (João Batista de Andrade, Brasil, 1981)
Um
poeta migra do Nordeste para São Paulo e vê sua vida mudar quando é
confundido com um operário que assassinou o patrão em plena festa da
empresa. Ele então recorre à única pessoa capaz de provar que ele é
inocente: o verdadeiro assassino.
41 – Hora da estrela, A (Suzana Amaral, Brasil, 1985)
Macabéa,
nordestina que vive em São Paulo trabalha como datilógrafa. Seu sonho é
ter um namorado e, após conhecer o operário Olímpico, inicia um namoro
com ele. Glória, sua colega de trabalho, a leva até uma cartomante, que
diz que sua vida será mudada por um homem louro e rico. Ela sai de lá
muito feliz e a mudança realmente acontece, mas não da forma que ela
esperava.
42 – Imigrante, O (Charles Chaplin, 1917)
Charles
decide tentar uma vida melhor e, para isso, embarca em um navio rumo à
América. Porém, ao chegar aos Estados Unidos, descobre a rotina de
preconceitos e humilhações que os imigrantes vivem no país.
Charles Chaplin em cena de O Imigrante.
Crédito: Reprodução
43 – Incêndios (Denis Villeneuve, Canadá, 2011)
Um
casal de irmãos gêmeos que vive no Canadá perde a mãe e vai em busca de
seu testamento. Junto com alguns pedidos não convencionais quanto ao
funeral, encontram um envelope que deve ser entregue ao seu pai e outro a
seu irmão. Porém, o fato de acreditarem até então que o pai estava
morto e desconhecerem a existência do irmão os leva a uma jornada pelo
Oriente Médio.
44 – Intouchables, Os intocáveis (Olivier Nakache, Eric Toledano, França, 2011)
Um
rico aristocrata francês, que fica tetraplégico em decorrência de um
acidente, contrata um cuidador para ajudá-lo, um imigrante senegalês
radicado na periferia de Paris. Apesar de meio atrapalhado, o cuidador
aprende bem a função e o homem passa admirá-lo por sua atitude para com
ele. Tornam-se amigos e compartilham experiências.
45 – Ivan (Guto Pasko, Brasil, 2015)
Sobreviver
a uma guerra, mas depois virar refugiado e apátrida. Perder o contato
com parentes e ter de começar tudo do zero em um outro país. E só depois
de décadas voltar a ter uma nacionalidade e poder retornar à terra
natal. Parece obra de ficção, mas é a história real do ucraniano Iván
Bojko, que vive no Brasil e é contada neste documentário, que
foi adotado pelo escritório brasileiro do ACNUR como um dos símbolos da
campanha #IBelong, que visa debater e acabar com a apatridia até 2024.
Saiba mais no MigraMundo.
Foi como cidadão brasileiro que Iván voltou à Ucrânia, depois de 68 anos.
Crédito: Divulgação
46 – Já que Você Existe. Quando sei nato non puoi più nasconderti. (Marco Tullio Giordana, Itália, 2003)
Um
garoto italiano cai nas águas do Mediterrâneo durante uma viagem. A sua
transição entre a adolescência e a fase adulta acontece em um barco que
o resgata. Trata-se de um meio de transporte para imigrantes
indocumentados rumo à Itália – situação semelhante à que ocorre em
Lampedusa, nas ilhas gregas e em outros pontos de travessia de barcos
com migrantes em direção ao Velho Continente.
47 – Jean Charles (Henrique Goldman, Brasil, 2009)
O
filme é baseado na história real do brasileiro Jean Charles de Menezes.
O homem vivia em Londres e, em meio aos atentados de 2005, foi
confundido com um terrorista e morto pela polícia no metrô local.
48 – Kaos (Paolo Taviani, Vittorio Taviani, Itália, 1984)
O
filme conta cinco histórias que se passam na Sicília: Uma mãe está há
14 anos sem notícias de seus dois filhos que vivem nos Estados Unidos;
Uma mulher recém-casada pede ajuda a um amigo, pois seu marido tem
comportamentos estranhos em noites de lua cheia; Um artesão é contratado
para consertar um importante vaso de um fazendeiro e acaba preso dentro
da peça; Um grupo de camponeses luta pelo direito de enterrar seus
mortos na comunidade onde vivem; Um escritor que volta para casa e busca
na mãe a inspiração para escrever a história que sempre sonhou.
49 – Lavoura arcaica (Luiz Fernando Carvalho, Brasil, 2001)
Baseado
no romance homônimo de Raduan Nassar (1975), o filme conta a história
em primeira pessoa de André, que sai de casa por se sentir sufocado pela
família. Ele decide retornar quando o irmão vai buscá-lo, a pedido da
mãe. Porém, acaba se apaixonando pela própria irmã, mexendo com a
estrutura de toda a família.
50 – Lemon Tree. Etz Limon (Eran Riklis, Israel, 2008)
Salma
é uma viúva palestina e vive dos lucros trazidos por uma plantação de
limões em seu quintal, em Israel. Sua vida pacata começa a mudar quando o
Ministro de Defesa israelense passa a ser seu vizinho e ordena que os
limoeiros sejam cortados em nome da segurança nacional.
51 – Migrantes (José Roberto Novaes, Brasil, 2007)
Trata-se
de um documentário que retrata as condições de trabalho nas lavouras
canavieiras do Nordeste. Pessoas migram para lá por necessidade e são
submetidas a condições extremas de trabalho em troca de salários muito
baixos.
52 – Minha adorável lavanderia. My Beautiful Laundrette (Stephen Frears, Grã-Bretanha, 1985)
Uma família paquistanesa vive na Inglaterra e ostenta seu padrão de
vida, como empresários. O chefe da família tem um irmão alcoólatra e de
esquerda. É o filho deste irmão que passa a gerenciar a lavanderia do
tio.
53- Montenegro. Pérolas e porcos (Dusan Makavejev, Reino Unido, Suécia, 1981)
Vivendo
em Estocolmo, uma americana está cansada de seu casamento “morno” e
entediante. Essa situação a leva a envolver-se com um grupo de
imigrantes vindos da Iugoslávia. Enquanto eles ficam fascinados pela sua
conduta boêmia, sua família beira a insanidade.
54 – Mundo novo, Nuovomondo (Emanuele Crialese, Itália, 2006)
Um
siciliano vende todos os seus bens e parte rumo à uma terra que promete
melhores condições à sua família: Nova York. Mas o sonho começa a
transformar-se em pesadelo em meio à problemas que começam no embarque
ao navio até a dificuldade de entrada nos Estados Unidos.
55 – Open Arms, Closed Doors (Brasil, 2014)
Feito
por cineastas brasileiros com apoio da emissora Al Jazeera, do Qatar, o
documentário conta a história de Badharo, um rapper angolano que vive
em uma favela do Rio de Janeiro. O filme traz à tona o racismo e as
diferenças na recepção de imigrantes europeus e africanos. Leia mais
sobre o longa no MigraMundo
Cena do filme Open Arms, Closed Doors.
Divulgação
56 – Pão e Chocolate, Pane e cioccolata (Franco Brusati, Itália, 1974)
Nino,
um italiano que vive na Suíça, deseja ser aceito na sociedade local.
Porém, todos os empregos e tentativas aos quais ele se submete, acabam
em frustração.
57 – Pão e Rosas. Bread and Roses (Ken Loach, Grã-Bretanha, 2000)
Duas
irmãs mexicanas trabalham em uma empresa de limpeza. A rotina de ambas
muda quando surge Sam, um ativista americano que as influencia a entrar
em uma campanha contra o sistema de trabalho que vivem. Essa atitude
coloca em risco não só o emprego das mulheres, mas também a sua
permanência no país.
58 – Passado Presente (Luiz Eduardo Lerina, Brasil, 2000)
No
século XIX, imigrantes pomeranos chegam ao Espírito Santo. Por estarem
afastados do povo local, permanecem isolados por cerca de 100 anos. Isso
os leva a preservar a sua cultura e tradições, que hoje em dia já não
existem mais nem mesmo em sua terra natal.
59 – Passaporte húngaro (Sandra Kogut, França, Bélgica, Brasil, Hungria, 2003)
O
documentário relata a saga da autora do filme em busca de um passaporte
húngaro. Isso a leva a vários questionamentos acerca do real
significado de pertencer a uma nacionalidade.
60 – Pelle, o conquistador (Bille August, Dinamarca, Suíça, 1988)
Em
um barco lotado de imigrantes suecos rumo à Dinamarca, estão o jovem
Pelle e sua mãe. Ao chegar ao país, encontram trabalho em uma fazenda,
mas são submetidos a péssimas condições de vida. Porém, isso não é
suficiente para fazê-los desanimar na busca por uma vida melhor.
61 – Piano, O (Jane Campion, França, Austrália, Nova Zelândia, 1993)
Ada
é uma mulher muda, que vai com a filha viver na Nova Zelândia. O motivo
da mudança é o casamento com Stewart, que foi arranjado, já que ela nem
conhece o noivo. Stewart se recusa a transportar o piano de Ada e o
vende para Baines. Ada negocia com Baines a devolução do instrumento em
troca de favores sexuais, até que a situação foge totalmente do
controle.
62 – Poderoso Chefão, O. Il padrino. The Godfather. Parte 2 (Francis Ford Coppola, EUA, 1974)
O
siciliano Vito parte para a América, após a morte da família pela
máfia. Ele mata um homem que exigia parte dos lucros dos comerciantes e
busca o sustento da família. Seus negócios se expandem e, anos mais
tarde, ficam sob os cuidados de seu filho mais novo. Entretanto, o jovem
descobre que sua ambição minou seu casamento, aliados querem mata-lo e
foi traído até mesmo pelo irmão.
63 – Por um punhado de dólares: os novos emigrados (Leonardo Dourado, Brasil, 2014)
A
mão de obra realizada por imigrantes desempenha um importante papel na
economia do nosso planeta. O documentário mostra, através de histórias
de vida, o quanto este fluxo de dinheiro flui livremente, diferente do
fluxo de pessoas, que encontram severas dificuldades para ter acesso à
documentos e estabelecer-se numa terra estrangeira. Veja também no MigraMundo
Documentário “Por um Punhado de Dólares, Os Novos Emigrados” quer fazer o público pensar sobre a questão migrante.
Crédito: Divulgação
64 – Quatrilho, O (Fábio Barreto, Brasil, 1995)
Dois
casais de imigrantes italianos no Rio Grande do Sul decidem dividir o
mesmo teto. Porém, o marido de uma e a esposa do outro se apaixonam e
decidem fugir. Só restará aos parceiros abandonados reconstruir suas
vidas, talvez juntos.
65
– Rapazes maus, Os: crônicas da violência habitual. Les mauvais
garçons: Chroniques de la violence ordinaire. (David Carr-Brown, Pierre
Bourgeois, Patricia Bodet, França, 2004)
A
cidade de Creil, próxima a Paris, é habitada basicamente por
imigrantes, que sofrem com a ação violenta de gangues locais. O enredo
leva à uma reflexão sobre a violência e remete a mais de 40 anos de
história da sociedade francesa.
66 – Rocco e seus irmãos (Luchino Visconti, Itália, 1960)
Rocco
e seus quatro irmãos mudam-se da Basilicata para Milão com a mãe. Todos
buscam trabalhar para sua subsistência. Mas a união de Rocco com um de
seus irmãos é abalada com a chegada de uma prostituta que seduz os dois
rapazes, que passam a disputá-la.
67 – Sacco e Vanzetti (Giuliano Montaldo, Itália 1971)
Sacco
e Vanzetti são dois imigrantes italianos que vivem em Boston. Eles
foram acusados de um assassinato, do qual provavelmente não foram
culpados. E esse julgamento aconteceu baseado no fato de serem
imigrantes e assumirem uma posição política mal vista pelo
conservadorismo: o anarquismo.
68 – Salada russa em Paris. Okno V Pariz. Salades Russes (Yuri Mamin, Rússia, França, 1993)
A
partir de uma janela de um quarto de São Petesburgo, Nickolai e seus
amigos misteriosamente vão parar em Paris. Passam então a explorar este
novo mundo sem saber que, a qualquer momento, essa janela pode ser
fechada.
69 – Serra Pelada, A Lenda da Montanha de Ouro (Victor Lopes, Brasil, 2013)
A
produção é focada no garimpo em Serra Pelada, no Estado do Pará. Nesse
lugar lendário, a busca pela riqueza atraiu milhares de pessoas e acabou
levando algumas ao encontro da fortuna e outras, da desgraça – dentre
os quais os irmãos paulistas Juliano e Joaquim.
70 – Spanglish (James L. Brooks, EUA, 2004)
Uma
mexicana e sua filha de 12 anos tentam uma vida melhor nos Estados
Unidos. Lá, vão trabalhar na casa de uma influente família e o
tratamento que recebem surpreende as duas.
71 – Tem que ser baiano? (Henri Gervaiseau, Brasil, 1993)
Documentário
contém entrevistas com nordestinos anônimos e famosos que migraram para
outros Estados. Além disso, traz manchetes de jornais e discursos de
políticos antigos sobre o tema.
72 – Tempo de embebedar cavalos. Un Temps Pour L’Ivresse Des Cheveaux. Za, Amo Baray’e Masti Asbha (Bahman Ghobadi, Irã, 2002)
Cinco
crianças ficam órfãs de pai e mãe na fronteira entre Irã e Iraque. Os
irmãos são acusados da perda da mula dos contrabandistas. Ayoub, um dos
irmãos, torna-se líder do grupo e se une aos contrabandistas para
sobreviver. O irmão mais novo sofre de uma séria enfermidade e necessita
de uma cirurgia, que eles não têm condições de pagar. A solução seria
um casamento arranjado para a irmã mais velha, com um iraquiano que se
compromete a arcar com os custos.
73 – Tempo dos ciganos, O (Emir Kusturica, Iugoslávia, 1988)
Perhan
vive em uma comunidade cigana da Iugoslávia, com a avó, o tio e a irmã.
A subsistência da família é garantida pelos poderes de cura da avó e a
venda de pedra calcária. Ele quer casar-se com a vizinha, mas a mãe da
moça recusa seus pedidos, devido à situação financeira do rapaz. Mas
tudo pode mudar quando a avó acaba salvando a vida do filho de um
criminoso.
74 – Terminal, O (Steven Spielberg, EUA, 2004)
Viktor
é um turista da Europa Oriental que, após um golpe de Estado em seu
país, parte rumo a Nova York. Porém, é impedido de entrar nos Estados
Unidos pois o seu passaporte está invalidado. E tampouco pode retornar
ao seu país, já que as fronteiras foram fechadas em decorrência do
golpe. Dessa forma, fica “preso” por meses no aeroporto local e passa a
improvisar seus dias e descobrir os segredos desse estranho mundo.
Cena do filme O Terminal, com o ator Tom Hanks.
Crédito: Divulgação
75 – Terraferma (Emanuele Crialese , Italia, França, 2011)
A
família Purcillo vive em uma ilha italiana e sobrevive basicamente do
turismo local. A pacata rotina destas pessoas começa a mudar quando
ajudam pessoas de um barco que naufragou. Trata-se de imigrantes
indocumentados e, ajudá-los nessas circunstâncias, pode ser considerado
um crime. Mesmo assim, abrigam uma mulher e seu filho em sua própria
casa e vivem sob a ameaça constante de serem descobertos.
76 – Trem da vida, O (Radu Mihaileanu, Romênia, Hungria, França, 1998)
Habitantes
da Europa Ocidental temem a chegada dos nazistas, que prometem deportar
todos os judeus da região. Para tentar escapar, forjam um trem nazista,
no qual eles próprios interpretam os nazistas. Porém, com o passar do
tempo, as encenações começam a tornar-se mais realistas.
77 – Um dia sem mexicanos (Sergio Arau, EUA, México, 2004)
Inexplicavelmente,
cerca de 14 milhões de mexicanos somem da Califórnia. Em meio às
especulações sobre o que poderia ter acontecido, a importância dessas
pessoas para a sociedade começa a ser percebida.
78 – Um italiano em Nova York. Chicago Story (Ettore Scola, Itália, 1971)
Rocco
Papaleo deixa a Itália em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos.
Após fracassar como boxeador, se submete a um trabalho servil e
apaixona-se por Jenny, uma modelo.
79 – Underground (Emir Kusturica, Iugoslávia, França, Alemanha, Hungria, 1995)
Em
Belgrado, uma fábrica clandestina de armas, cujos trabalhadores são
“refugiados”, é mantida por traficantes. Sem acesso ao mundo exterior,
não sabem que a Segunda Guerra Mundial já terminou. Porém, um belo dia,
os fabricantes ouvem o noticiário e descobrem que não há mais guerra.
80 – Viagem da esperança, A (Yesim Ustaoglu, Turquia, Holanda, Alemanha, 1999)
O filme narra a história de uma família de turcos que, para fugir da pobreza, tenta imigrar para a Suíça, sem documentos.
81 – Visitante, O. The visitor (Thomas McCarthy, EUA, 2007)
Um
professor universitário viúvo diz a todos que é coautor de livros que
nem conhece. Quando a autora de um desses livros não pode comparecer a
uma conferência em Nova York, ele é enviado em seu lugar. Ao chegar ao
seu apartamento na cidade, descobre que ele agora é habitado por um
casal de imigrantes sem documentos.
82 – Walachai (Rejane Zilles, Brasil, 2011)
Numa
pequena comunidade ao Sul do Brasil, pessoas vivem à sua maneira e
ainda falam um antigo dialeto alemão. Embora se considerem brasileiros,
são vistos como estrangeiros e formam um grupo coeso, mas isolado das
populações vizinhas.